quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

The Age of Reason by Thomas Paine (1737–1809)

Herdeiro da tradição de Hume, Espinosa, Voltaire e do deísmo inglês do início do século XVIII, Paine apresenta a sua DEFESA DO DEÍSMO numa linguagem simples, acessível e irreverente que retirou o "deism out of the hands of the aristocracy and intellectuals and [brought] it to the people."

Excerts from THE AGE OF REASON (Follow the LINK):

"I do not believe in the creed professed by the Jewish Church, by the Roman Church, by the Greek Church, by the Turkish Church, by the Protestant Church, nor by any church that I know of. My own mind is my own church. All national institutions of churches, whether Jewish, Christian or Turkish, appear to me no other than human inventions, set up to terrify and enslave mankind, and monopolize power and profit."

"I believe in one God, and no more; and I hope for happiness beyond this life. I believe in the equality of man; and I believe that religious duties consist in doing justice, loving mercy, and endeavoring to make our fellow-creatures happy."

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

PHILOSOPHY: WHAT FOR?

"Philosophy is thinking in slow motion. It breaks down, describes and assesses moves we ordinarily make at great speed - to do with our natural motivations and beliefs. It then becomes evident that alternatives are possible."John Campbell, Philosophers

 "The object of philosophy is the logical clarification of thoughts. Philosophy is not a theory but an activity. A philosophical work consists essentially of elucidations. The result of philosophy is not a number of ‘philosophical propositions’, but to make propositions clear. Philosophy should make clear and delimit sharply the thoughts which otherwise are, as it were, opaque and blurred." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

"What is the aim of philosophy? To be clear-headed rather than confused;lucid rather than obscure; rational rather than otherwise; and to be neither more, nor less, sure of things than is justifiable by argument or evidence." G.J. Warnock, Philosophers

"Philosophy, though unable to tell us with certainty what is the true answer to the doubts it raises, is able to suggest many possibilities which enlarge our thoughts and free them from the tyranny of custom. Thus, while diminishing our feeling of certainty as to what things are, it greatly increases our knowledge as to what they may be; it removes the somewhat arrogant dogmatism of those who have never travelled into the region of liberating doubt, and it keeps alive our sense of wonder by showing familiar things in an unfamiliar aspect." Bertrand Russell, The Problems of Philosophy

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Primeiro Alcibíades - Platão

De todos os textos platónicos de autenticidade discutível, o presente encerra o maior mérito dialéctico e filosófico. Difere de outras composições platónicas: o objectivo é mais directamente ético e exortativo

Tema: Doutrina socrática do auto-conhecimento.
Faça o download AQUI.(tradução inglesa)

"- Alcibiades : Perhaps, Socrates, you are not aware that I was just going to ask you the very same question: What do you want? And what is your motive in annoying me, and always, wherever I am, making a point of coming?  I do really wonder what you mean, and should greatly like to know.
- Socrates : Then if, as you say, you desire to know, I suppose that you will be willing to hear, and I may consider myself to be speaking to an auditor who will remain, and will not run away?"

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

FELICIDADE - A PROPOSTA EPICURISTA (Vídeo)

Episódio da série televisiva do Channel 4  Philosophy: A Guide To Happiness.
Alain de Botton, autor de The Consolations of Philosophy, cuja estrutura, abordagem temática e simplicidade inspiram a série, apresenta
 
 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Autenticidade e inautenticidade existencial

A dificuldade de responder à exigência de "ser eu próprio" e sua relevância no projecto vital de cada homem fazem da busca da existência autêntica um dos temas abordados com mais frequência nas consultas de Aconselhamento Filosófico.

“A noção de inautenticidade tem grande relevo nos filósofos da existência. Já o advertimos. Heidegger considera uma inevitável estrutura humana a ‘queda na inautenticidade’: é a situação do homem que vive exclusivamente do ‘se’ (diz-se, faz-se, etc.), actuando sem assumir pessoal e originalmente o seu projecto vital, mas deixando-se simplesmente arrastar pelos condicionalismos vitais e sociais. É óbvio que essa existência perde assim grande parte do seu valor. E é também então quase óbvio formular que deve tratar de reencontrar a sua autenticidade.
Provavelmente, o conceito provém da moderna Psicologia profunda. (…) Lersh define autenticidade e inautenticidade como os dois modos (positivo ou negativo) de integração ‘vertical’ do fundo endotímico com o eu superior. Consequentemente, a vontade pode ser dita autêntica, quando a sua decisão ‘chega ao fundo’, quer dizer, arrebata consigo o fundo endotímico, integrando-o. O mesmo poderemos dizer do pensamento, enquanto ‘convicção’. São causas de inautenticidade as pressões da convivência social; assim como uma tendência à notoriedade, especialmente vigente em certos indivíduos. Em geral, a conduta psicologicamente inautêntica acusa pobreza de fundo. A solução está na busca da integração, que deverá começar pela aceitação da própria realidade tal como ela é.
(…) Radicalizando estas reflexões até torná-las ‘existenciais’, encontramos como definição de autenticidade a fidelidade ao próprio projecto vital. Isto supõe um duplo elemento: primeiro, a não abdicação da própria originalidade pela qual o projecto é projecto: o que verdadeiramente vive no homem, o seu enfrentar da realidade ‘desde si mesmo’, ao contrário do animal, que vive simplesmente entregue aos estímulos, respondendo-lhes segundo as leis específicas e as peculiaridades da circunstância externa.
Em segundo lugar, a autenticidade existencial supõe que o projecto vital que cada homem é está, de algum modo, dado no mesmo homem previamente à sua decisão. Uma decisão forçada contra o próprio fundo do homem, fá-lo inevitavelmente inautêntico. O homem tem que conformar-se consigo próprio. Heidegger, no final de algumas das suas análises em Ser e Tempo recorda o ‘sê tu próprio’, pronunciado tantas vezes pela diversas escolas morais."
José Gomez Cafarena, Metafísica Fundamental

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ortega y Gasset - a vida como problema a ser resolvido

"A vida é-nos dada, ou, melhor dito, é-nos atirada, ou somos atirados a ela; mas isso que nos é dado, a vida, é um problema que nós precisamos de resolver. E é assim não só nesses casos de especial dificuldade que qualificamos, peculiarmente, de conflitos e aflições, mas é-o sempre."
Ortega y Gasset, O Que é a Filosofia?, Lisboa, Edições Cotovia, p.168.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LA CONSULTATION PHILOSOPHIQUE: LES DIFFICULTÉS

ÍNDICE
- Les frustrations
- La parole comme prétexte
- Douleur et péridurale
- Universel et singulier
- Accepter la pathologie

Leia o artigo de OSCAR BRENIFIER AQUI.(Consultation Philosophique)

"(...)Un des aspects de notre pratique qui pose problème au sujet, est le rapport à la parole que nous tentons d'installer. En effet, d'une part nous lui demandons de sacraliser la parole, puisque nous nous permettons de peser attentivement, ensemble, le moindre terme utilisé, puisque nous nous autorisons à creuser de l'intérieur, ensemble, les expressions utilisées et les arguments avancés, au point de les rendre parfois méconnaissables pour leur auteur, ce qui l'amènera de temps à autre à crier au scandale en voyant sa parole ainsi manipulée. Et d'autre part nous lui demandons de désacraliser la parole, puisque l'ensemble de cet exercice n'est composé que de mots et que peu importe la sincérité ou la vérité de ce qu'il avance: il s'agit simplement de jouer avec les idées, sans pour autant adhérer nécessairement à ce qui est dit. Seule nous intéressent la cohérence, les échos que se renvoient les paroles entre elles, la silhouette mentale qui se dégage lentement et imperceptiblement. Nous demandons simultanément au sujet de jouer à un simple jeu, ce qui implique une distanciation par rapport à ce qui est conçu comme le réel, et en même temps nous lui demandons de jouer aux mots avec le plus grand sérieux, avec la plus grande application, avec plus d'effort qu'il ne met généralement à construire son discours et à l'analyser.(...)"

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Emotions as Engagements with the World

Why talk about emotional intelligence? The term itself, which was introduced to the American public by Daniel Goleman in a popular book some years ago, is important primarily for its shock value: emotional intelligence sounds like a contradiction in terms. Traditionally, we have viewed emotions, or what used to be called “passions,” as one distinct side of human nature. Reason, rationality, and intelligence, meanwhile, stand distinct and apart on the other side. Yet those of us who have studied emotions as part of the human experience long ago recognized the intelligence of emotions, so eliminating that false dichotomy and to show the interdependence of philosophy and psychology. 
Philosophers talk about ethics and the good life, whereas psychologists do rock-bottom science. Yet philosophy has always needed to appeal to empirical psychology, just as empirical psychology has always needed to refer to philosophy. One without the other is incomplete. 
A battle continues over the nature of emotion—whether it is primarily a physical feeling or some kind of intelligent engagement with the world. I make the existentialist case that our emotions are not dumb feelings or physiological reactions but sometimes intelligent, if often short-sighted, strategies for coping with the world.

Adaptado de Robert C. Solomon.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Henry David Thoreau - Life beyond Logic and The Ethics of Perception

If one were asked to name the cardinal virtue of Thoreau's philosophy, it would be hard to identify a better candidate than awareness. He attests to the importance of “being forever on the alert,” and of “the discipline of looking always at what is to be seen” (Walden, IV). This exercise may enable one to create remarkably minute descriptions of a sunset, a battle between red and black ants, or the shapes taken by thawing clay on a sand bank: but its primary value lies in the way it affects the quality of our experience. “It is something to be able to paint a particular picture, or to carve a statue, and so to make a few objects beautiful; but it is far more glorious to carve and paint the very atmosphere and medium through which we look” (Walden, II). Awareness cannot be classified as exclusively a moral or an intellectual virtue, either, since knowing is an inescapably practical and evaluative activity. Thoreau has been interpreted as offering an original response to the major problem of modern philosophy, since he recognizes that knowledge is “dependent on the individual's ability to see,” and that “the world as known is thus radically dependent on character” (Tauber 2001, 4–5).  One of the common tenets of ancient philosophy which was abandoned in the period beginning with Descartes is that a person “could not have access to the truth” without undertaking a process of self-purification that would render him “susceptible to knowing the truth” (Foucault 1997, 278–279). For Thoreau, it was the work of a lifetime to cultivate one's receptivity to the beauty of the universe. Believing that “the perception of beauty is a moral test” (Journal, 6/21/52), Thoreau frequently chastises himself or humanity in general for failing in this respect. “How much of beauty—of color, as well as form—on which our eyes daily rest goes unperceived by us,” he laments (Journal, 8/1/60); and he worries that “Nature has no human inhabitant who appreciates her” (Walden, IX). Noticing that his sensory awareness has grown less acute since the time of his youth, he speculates that “the child plucks its first flower with an insight into its beauty and significance which the subsequent botanist never retains” (Journal, 7/16/51 & 2/5/52). In order to attain a clear and truthful view of things, we must refine all the perceptual faculties of our embodied consciousness, and become emotionally attuned to all the concrete features of the place in which we are located. We fully know only those facts that are “warm, moist, incarnated,” and palpably felt: “A man has not seen a thing who has not felt it” (Journal, 2/23/60).  Since our ability to appreciate the significance of phenomena is so easily dulled, it requires a certain discipline in order to become and remain a reliable knower of the world. Like Aristotle, Thoreau believes that the perception of truth “produces a pleasurable sensation”; and he adds that a “healthy and refined nature would always derive pleasure from the landscape” (Journal, 9/24/54 & 6/27/52). Nature will reward the most careful attention paid by a person who is appropriately disposed, but there is only “as much beauty visible to us in the landscape as we are prepared to appreciate,—not a grain more. The actual objects which one person will see from a particular hilltop are just as different from those which another will see as the persons are different” (Journal, 11/4/58). One who is in the right state to be capable of giving a “poetic and lively description” of things will find himself “in a living and beautiful world” (Journal, 10/13/60 & 12/31/59). Beauty, like color, does not lie only in the eye of the beholder: flowers, for example, are indeed beautiful and brightly colored. Nevertheless, beauty—and color, for that matter—can exist only where there is a beholder to perceive it (Journal, 6/15/52 & 1/21/38). From his experience in the field making observations of natural phenomena, Thoreau gained the insight “that he, the supposedly neutral observer, was always and unavoidably in the center of the observation” (McGregor 1997, 113). Because all perception of objects has a subjective aspect, the world can be defined as a sphere centered around each conscious perceiver: wherever we are located, “the universe is built around us, and we are central still” (Journal, 8/24/41). This does not mean that we are trapped inside of our own consciousness; rather, the point is that it is only through the lens of our own subjectivity that we have access to the external world.  What we are able to perceive, then, depends not only upon where we are physically situated: it is also contingent upon who we are and what we value, or how our attention is focused. “Objects are concealed from our view, not so much because they are out of the course of our visual ray as because we do not bring our minds and eyes to bear on them…. A man sees only what concerns him” (“Autumnal Tints”). In other words, there is “no such thing as pure objective observation. Your observation, to be interesting, i.e. to be significant, must be subjective” (Journal, 5/6/54). Subjectivity is not an obstacle to truth, according to Thoreau. After all, he says, “the truest description, and that by which another living man can most readily recognize a flower, is the unmeasured and eloquent one which the sight of it inspires” (Journal, 10/13/60). A true account of the world must do justice to all the familiar properties of objects that the human mind is capable of perceiving. Whether this could be done by a scientific description is a vexing question for Thoreau, and one about which he shows considerable ambivalence. One of his concerns is that the scientist “discovers no world for the mind of man with all its faculties to inhabit”; by contrast, there is “more humanity” in “the unscientific man's knowledge,” since the latter can explain how certain facts pertain to life (Journal, 9/5/51, 2/13/52). He accuses the naturalist of failing to understand color, much less beauty, and asks: “What sort of science is that which enriches the understanding, but robs the imagination?” (Journal, 10/5/61 & 12/25/51)  Thoreau sometimes characterizes science as an ideal discipline that will enrich our knowledge and experience: “The true man of science will know nature better by his finer organization; he will smell, taste, see, hear, feel, better than other men. His will be a deeper and finer experience” (“Natural History of Massachusetts”). Yet he also gives voice to the fear that by weighing and measuring things and collecting quantitative data he may actually be narrowing his vision. The scientist “studies nature as a dead language,” and would rather study a dead fish preserved in a jar than a living one in its native element (Journal, 5/10/53 & 11/30/58). In these same journal entries, Thoreau claims that he seeks to experience the significance of nature, and that “the beauty of the fish” is what is most worthy of being measured. On the other hand, when he finds a dead fish in the water, he brings it home to weigh and measure, covering several pages with his statistical findings (Journal, 8/20/54). This is only one of many examples of Thoreau's fascination with data-gathering, and yet he repeatedly questions its value, as if he does not know what to make of his own penchant for naturalistic research. At the very least, scientific investigations run the risk of being “trivial and petty,” so perhaps what one should do is “learn science and then forget it” (Journal, 1/21/53 & 4/22/52). But Thoreau is more deeply troubled by the possibility that “science is inhuman,” since objects “seen with a microscope begin to be insignificant,” and this is “not the means of acquiring true knowledge” (Journal, 5/1/59 & 5/28/54). Overall, his position is not that a mystical or imaginative awareness of the world is incompatible with knowledge of measurable facts, but that an exclusive focus on the latter would blind us to whatever aspects of reality fall outside the scope of our measurement.  One thing we can learn from all of Thoreau's comments on scientific inquiry is that he cares very much about the following question: what can we know about the world, and how are we able to know it? Although he admires the precision of scientific information, he wonders if what it delivers is always bound to be “something less than the vague poetic” (Journal, 1/5/50). In principle, a naturalistic approach to reality should be able to capture its beauty and significance; in practice, however, it may be “impossible for the same person to see things from the poet's point of view and that of the man of science” (Journal, 2/18/52). In that case, the best we can do is try to convey our intimations of the truth about the universe, and be willing to err on the side of obscurity and excess: “I desire to speak somewhere without bounds; like a man in his waking moment, to men in their waking moments; for I am convinced that I cannot exaggerate enough even to lay the foundation of a true expression… . The words which express our faith and piety are not definite; yet they are significant and fragrant like frankincense to superior natures” (Walden, XVIII). We should not arbitrarily limit our awareness to that which can be described with mathematical exactitude: perhaps the highest knowledge available to us, Thoreau suggests, consists in “a sudden revelation of the insufficiency of all that we called Knowledge before … it is the lighting up of the mist by the sun” (“Walking”). And perhaps this is not a regrettable fact: “At the same time that we are earnest to explore and learn all things, we require that all things be mysterious and unexplorable, that land and sea be infinitely wild, unsurveyed and unfathomed by us because unfathomable” (Walden, XVII). By acknowledging the limits of what we can know with certainty, we open ourselves up to a wider horizon of experience.  As one commentator points out, Thoreau's categories are more dynamic than Kant's, since they are constantly being redefined by what we perceive, even as they shape our way of seeing (Peck 1990, 84–85). Every now and then “something will occur which my philosophy has not dreamed of,” Thoreau says, which demonstrates that the “boundaries of the actual are no more fixed and rigid than the elasticity of our imaginations” (Journal, 5/31/53). Since the thoughts of each knowing subject are “part of the meaning of the world,” it is legitimate to ask: “Who can say what is? He can only say how he sees” (11/4/52 & 12/2/46). Truth is radically perspective-dependent, which means that insofar as we are different people we can only be expected to perceive different worlds (Walls 1995, 213). Thoreau's position might be described as perspectival realism, since he does not conclude that truth is relative but celebrates the diversity of the multifaceted reality that each of us knows in his own distinctive way. “How novel and original must be each new man's view of the universe!” he exclaims; “How sweet is the perception of a new natural fact,” for it suggests to us “what worlds remain to be unveiled” (Journal, 4/2/52 & 4/19/52). We may never comprehend the intimate relation between a significant fact and the perceiver who appreciates it, but we should trust that it is not in vain to view nature with “humane affections” (Journal, 2/20/57 & 6/30/52). With respect to any given phenomenon, the “point of interest” that concerns us lies neither in the coolly independent object nor in the subject alone, but somewhere in between (Journal, 11/5/57). Witnessing the rise of positivism and its ideal of complete objectivity, Thoreau attempts “to preserve an enchanted world and to place the passionate observer in the center of his or her universe” (Tauber 2001, 20). It is a noble goal, and one that remains quite relevant in the philosophical climate of the present day.
Source: Stanford Encyclopedia of Philosophy

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Orientação Filosófica por Karl Jaspers (1883-1969)

A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituível de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio. Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia. Não se satisfazer com elas, porém, e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, eis o anelo de uma vida filosoficamente orientada. E, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os homens: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.
São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio. 
Karl Jaspers, 'Iniciação Filosófica' 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Sentido da Vida por Moritz Schlick (1882-1936)

Nem todos se preocupam com a questão de saber se a vida tem sentido. Alguns — e esses não são os mais infelizes — têm a mente de uma criança, que ainda não questionou tais coisas; outros, tendo desaprendido a questão, já não as questionam. Entre ambos estamos nós próprios, aqueles que procuram. Não conseguimos projetar-nos de novo no nível do inocente, para quem a vida ainda não olhou com os seus olhos escuros e misteriosos, e não nos interessa juntarmo-nos aos saturados e fatigados que já não acreditam em qualquer sentido na existência por não terem conseguido encontrar qualquer sentido na sua própria vida.
Aquele que não conseguiu atingir o objetivo que procurava na sua juventude, e que não encontrou nada que o substituísse, pode lamentar a falta de sentido da sua própria vida, mas pode ainda acreditar que a existência em geral tem sentido e pensar que tal sentido está presente nos casos em que uma pessoa atingiu os seus objetivos. Mas aquele que, depois de muito esforço, conseguiu atingir os seus propósitos, e que depois descobriu que o seu prêmio não é tão valioso como parecia, de alguma maneira sente-se enganado — confronta-se abertamente com a questão do valor da vida e diante dele, como um solo sombrio e devastado, permanece o pensamento de que, para além de todas as coisas serem transitórias, em última análise tudo é em vão…
Qual é a razão para a estranha contradição que consiste no fato de o sucesso e a satisfação não se fundirem num sentido apropriado? Não parece prevalecer aqui uma lei inexorável da natureza? O ser humano estabelece objetivos para si próprio, e enquanto os persegue apoia-se na esperança, é verdade, mas ao mesmo tempo vive atormentado pela dor do desejo insatisfeito. Logo que atinge o objetivo, no entanto, depois da primeira sensação de triunfo segue-se inevitavelmente um sentimento de desolação. Permanece um vazio, que aparentemente só pode culminar com a emergência dolorosa de novas ambições, com o estabelecimento de novos objetivos. Assim recomeça o jogo, e a existência parece estar condenada a ser uma oscilação incansável entre dor e aborrecimento que termina com o nada que é a morte. Esta é a célebre linha de pensamento que está na base da visão pessimista da vida de Schopenhauer. Não haverá uma maneira de lhe poder escapar?…
Na verdade, nunca encontraremos um sentido último na vida se a virmos apenas sob o aspecto do propósito.
Não sei, no entanto, se o fardo dos propósitos pesou alguma vez mais sobre a humanidade do que no momento presente. O presente idolatra o trabalho. Mas trabalho significa atividade dirigida para objetivos, direção para um propósito. Supõe que estás no meio da multidão numa rua agitada de uma cidade e imagina-te a parar os transeuntes, um por um, para lhes perguntares: “Onde é que vais tão depressa? Que assunto importante tens de resolver?” E se, depois de conheceres o objetivo imediato, perguntasses depois pelo propósito desse objetivo, e depois pelo propósito desse propósito, acabarias sempre por chegar ao seguinte propósito depois de poucos passos na sequência: manter a vida, ganhar o próprio pão. E manter a vida porquê? Para esta questão dificilmente conseguirias extrair uma resposta inteligível a partir da informação obtida…
O núcleo e valor último da vida só pode residir em estados que existem em função de si próprios e que contêm em si próprios a satisfação que proporcionam… Ora, a vida significa movimento e ação, e se desejamos descobrir um sentido nela devemos procurar atividades que contêm o seu valor e propósito em si próprias, independentemente de quaisquer objetivos exteriores; atividades, portanto, que não são trabalho, no sentido filosófico do termo… Existem realmente tais atividades. Para sermos consistentes, devemos chamar-lhes jogos, já que este é o nome para a ação livre e sem propósito, isto é, para a ação que na verdade contém em si o seu propósito…
Jogar, como entendemos a noção, é qualquer atividade que decorre inteiramente em função de si própria, independentemente dos seus efeitos e consequências. Não há nada que impeça esses efeitos de serem de um tipo útil ou valioso. Se forem, tanto melhor; a ação continua a ser jogo, pois já contém o seu valor em si própria. Bens valiosos podem proceder dela, tal como da atividade intrinsecamente não aprazível em que se procura atingir um propósito. Por outras palavras, também o jogo pode ser criativo; o seu resultado pode coincidir com o do trabalho…
Olhemos à nossa volta: onde encontramos jogo criativo? O exemplo mais brilhante (que ao mesmo tempo é mais do que um simples exemplo) encontra-se na criação do artista. A sua atividade, que consiste em dar forma ao seu trabalho através da inspiração, é ela própria um prazer, e em parte é por acidente que valores duradouros resultam dela. Enquanto trabalha, o artista pode não pensar no benefício desses valores, pode nem pensar na sua recompensa, já que de outro modo o ato de criação ficará corrompido. O prêmio que abundantemente recompensa não é a corrente de ouro, mas a canção que brota do coração! Assim se sente o poeta, e também o artista. E quem se sente assim naquilo que faz é um artista.
Considere-se, por exemplo, o cientista. Conhecer, também, é um puro jogo do espírito, a procura da verdade científica é um fim em si mesmo para ele. O cientista adora medir os seus poderes contra os enigmas que a realidade lhe propõe, independentemente dos benefícios que possam de alguma maneira resultar da sua atividade…
Toda a nossa cultura terá que se concentrar num rejuvenescimento do ser humano, rejuvenescimento no sentido filosófico, de tal maneira que todas as nossas atividades se libertem gradualmente do domínio dos propósitos, que até as ações necessárias para a vida se transformem em jogo…
Toda a educação deverá encarregar-se de que nada da criança se perca no homem à medida que este amadurece, de que a separação entre a adolescência e a idade adulta vá desaparecendo gradualmente, de tal forma que o homem permaneça um rapaz até aos seus últimos anos, e a mulher uma rapariga, apesar de ser uma mãe. Se precisamos de uma regra de vida, que seja esta: “Preserva o espírito da juventude!” Pois este é o sentido da vida.

Excertos de um texto de Schlick com tradução de Pedro Galvão 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Carta atribuída a Lincoln: ao professor do meu filho ...

Apesar de não ser possível confirmar a autenticidade da presente missiva, consideramos que o seu valor e potencial reflexivo independem do autor.

"Caro professor, 
Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos,  nem todos são verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que, para cada vilão, há um herói; que para cada egoísta, há também um líder dedicado; ensine-lhe, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo; ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada; ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória. Afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso. Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa; ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros; ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho; ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso. Ensine-o a ter  fé sublime em si, pois só assim poderá ter fé na Humanidade. Eu sei que lhe peço muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Comemoração Dia Mundial da Filosofia - Biblioteca do Colégio Internacional de Vilamoura

Banho de Emersão
Filosofia, Poesia e … Educação 

Nelson Moniz

"Não podemos amar a água, amar o fogo, amar a árvore sem colocar neles um amor, uma amizade que remonta à nossa infância (...) Sem infância não há verdadeira cosmicidade. Sem canto cósmico não há poesia"
Bachelard, A Poética do Devaneio, III


Imergir num aparente caos de significações faz iniciar a comemoração do Dia Mundial da Filosofia na Biblioteca do CIV.
Qual a importância da palavra? Como recordamos as nossas memórias? As memórias têm importância? Quais as memórias mais importantes? O que é o instante? O que é o tempo? Posso captá-lo? Pode o instante mudar toda uma vida? O que é que o poeta faz aos instantes?...
O poeta professor Nelson Moniz interpela os alunos do ensino secundário tentando clarificar as interligações entre a Poesia e a Filosofia.
Captar a vida, recolher o instante, estar atento ao iminente caracteriza e possibilita o poeta e o filósofo. O instante traz consigo tamanha informação que o seu labor é conceptualizá-la. Num mesmo instante o professor Nelson cita Bachelard, deixa cair os óculos e tenta apanhá-los, os alunos falam e riem cada vez menos no corredor e a luz do dia vai declinando… O instante condensa e une impressões, a palavra fixa e expressa, a memória permanece e constrói-se.
Os sentidos alcançam significado numa espécie de constelação que une sentir, pensar e agir -na Poesia como na Filosofia há poder de relação. Preocupados com o que se faz com o tempo, filósofo e poeta (o sujeito que somos) já não tecem a sua existência de modo fragmentado, orientam-se pelas estrelas, conceitos das suas memórias, desenvolvendo, criando e recriando, os seus talentos. Estão aptos para a sobrevivência e para o engrandecimento.
É assim, de um modo fulgente e luminoso, que Nelson Moniz deixa transparecer o modo como trabalha com os seus alunos do ensino primário, para que eles próprios sejam livres e talentosos em tudo o que realizem.
Cita vários dos seus alunos, e deixa a crítica clara às atites, reunites e fichites de que padece o sistema de ensino, castrador da imaginação e da espontaneidade infantis.
«-Professor, faça-me um questionário, daqueles mesmo difíceis!
1. Para que servem as palavras?
- Para sentir e mudar o mundo para melhor. Mas às vezes faz-se o contrário e é por isso que estamos em crise.
2. O que é o tempo?
- O tempo é permanecer durante a vida e acreditar que podemos ser alguma coisa.
3. O que sente um poeta quando acaba uma obra?
- Um desabafo. E o sentimento de que permanece depois da morte.»
P., 9 anos
O nosso convidado termina: a missão da Poesia é transformar, como a da escola!
Emergir do entendimento realiza um grande Dia Mundial da Filosofia no CIV graças ao talento, originalidade e poder de comunicação do nosso convidado.
Muito obrigada Nelson pela sua disponibilidade e obrigada a todos os que de diferentes formas participaram nesta atividade!!

Laurinda Silva,
Grupo Disciplinar de Filosofia do CIV

terça-feira, 15 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Da necessidade Filosófica do Ser Relação

Como recente membro do projecto educativo das Irmãs Doroteias, senti que a minha integração deveria iniciar-se pelo desafio de real compreensão não apenas do que é, mas do que deve ser Ser-se Relação.
Digamos que do ponto de vista teológico, se nos apresentam de forma evidente e necessária os valores Fraternidade, Diálogo, Amizade… Mas eis que, numa perspectiva filosófica, metódica e racionalmente crítica, a prática desses valores inerentes ao Ser Relação se desvelam também como uma necessidade.
Na prática pedagógica de introdução à Filosofia e ao filosofar, isto é, nas primeiras sessões de Filosofia com alunos do 10º ano, é comum recorrermos à Alegoria da Caverna de Platão como forma de apresentação e apreensão daquilo que poderemos chamar atitude verdadeiramente filosófica. De capacidade e vontade de abertura, de curiosidade e de questionamento, visando uma compreensão integral e unificadora do mundo que nos rodeia. Por outro lado, a vontade de autêntica comunicação, como o prisioneiro da Alegoria da Caverna que, após se ter desprendido e vislumbrado uma possível outra face da realidade, regressa à caverna com o intuito de transportar a experiência do espanto aos seus.
Neste sentido, e não esquecendo o objectivo de perscrutar a essência do Ser Relação, cremos interessante recordar que da Grécia helénica herdamos algumas distinções úteis para o universo dos afectos. Assim, temos eros que, segundo Sócrates, é a fonte do desejo de nos amarmos uns aos outros; storgé, o amor familiar e instintivo de carinho, ternura e afecto; xenía, aquele amor que sentimos por desconhecidos; phília, o amor da amizade, e ágape, a forma mais elevada de amor, incondicional e de sacrifício pessoal.
Ora, numa viagem pela filosofia dos afectos apercebemo-nos que Ser Relação assume uma pretensão de união e comprometimento com eros, storgé, xenía, phília e acima de tudo com ágape, com o Espírito de Família entendido como Humanidade.
Neste ponto cremos que será, portanto, legítimo inferir que, se do ponto de vista teológico é imediato, porque acto de fé, este comprometimento com a Humanidade, do ponto de vista filosófico não será menos essencial. Pois se é possível postular que aquilo que é amável o é por si mesmo, e este seria o Homem como criação divina, é também possível afirmar que Ser-se Relação é, pois, vontade de autêntica comunicação, despida de pré-conceitos, genuína, ou seja, filosófica! E, acima de tudo, é-o também por si mesma!

Por Cecília Reis Maia
Texto publicado no Jornal da Paz, nº18,Set-Out 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

The value of Philosophy

The value of philosophy lies not in furnishing solutions but in defining difficulties and suggesting methods for dealing with them.
                                                                                             John Dewey (1859 – 1952)

domingo, 23 de outubro de 2011

Da Filosofia nas Organizações - 8ª Convenção I Have The Power

Panorâmica da Sala Sagres, do Hotel Dom Pedro Marina

 
Enteléquia - Filosofia Prática ® teve o prazer de dinamizar uma sessão de Filosofia aplicada ao contexto organizacional.
O objectivo central foi proporcionar aos participantes um espaço livre de pensamento e discussão demonstrando as vantagens do legado que é a maiêutica socrática para um grupo/equipa que se pretende coeso/a porque persegue os mesmo objectivos. 
Aproveitar a energia da dissidência é construir um consenso que enche de significação a acção da equipa (sendo ela empresarial ou de qualquer outro tipo de organização).

Laurinda Silva, facilitadora
O seguinte texto pretende expor o trabalho do grupo:

A Caverna de Soraia?
«Como encontrar a pessoa certa para nos ajudar a alcançar os nossos sonhos?»
«Quantos consultores, que se conhecem verdadeiramente a si próprios, são necessários para ajudar 1 milhão de pessoas, até 2015, a não desistirem dos seus sonhos?»
O grupo identifica quase imediatamente semelhanças entre as duas perguntas: «alcançar» vs «não desistir»; «pessoa certa para nos ajudar» vs «consultores que se conhecem verdadeiramente a si próprios»; «os nossos sonhos» vs «dos seus sonhos».
Analisada a primeira semelhança, verificou-se uma relação complementar (João), mais especificamente «não desistir» é um meio para «alcançar» (Isabel). Não se trata, pois, de uma relação de identidade simples pelo que Paula reviu a sua primeira ideia.
Se acrescentarmos que os «consultores que se conhecem verdadeiramente a si próprios» são consultores I Have The Power, então há identidade com «pessoa certa para nos ajudar» (Jorge). Porém, o grupo reconhece que os dados fornecidos pelo real (a pergunta) não contemplam esse «Se». Então a identidade entre «pessoa certa para nos ajudar» e «consultores que se conhecem verdadeiramente a si próprios» é uma possibilidade e não uma necessidade. Porquê excluir a nossa querida avó, que nada percebe de consultoria?
Surge a ideia da Alegoria da Caverna – será que acrescentar dados ao real nos ajuda a manter/justificar a nossa caverna? Quem, olhando para «consultores que se conhecem verdadeiramente a si próprios», leu «consultores I Have The Power que se conhecem verdadeiramente a si próprios»? Quem está dentro da caverna?
Eu estou fora da caverna!, situa-se Soraia embora não saiba dizer porquê. Vozes de compaixão surgem imediatamente em seu auxílio – afirmam saber acerca das razões de Soraia e querem com veemência explicá-las ao moscardo irónico que por ali incomoda os presentes. Isto provoca perplexidade na Paula – Como podem responder assim pelos outros, [conjeturando]?!
A Soraia está dentro da caverna ou então saberia explicar porque não está. (João)
Uma espécie de burning desire acendeu o esforço crítico do grupo e fez queimar o tempo necessário para a análise da terceira semelhança - «os nossos sonhos» vs «dos seus sonhos».
A diferença nestas expressões está na perspectiva de que se fala de sonhos – própria ou de outrem. Por puro atrevimento sugiro que os proponentes da 1ª questão estão em grande expectativa. Têm ânsia de realizar os seus sonhos, de encontrar uma pessoa que os ajude nessa tarefa! Ou então, são consultores     I Have The Power e possuem e treinam uma flexibilidade mental fantástica que, colocando-se no papel do outro o compreendem conseguindo responder cada vez melhor às suas necessidades e, portanto, sendo cada vez melhores consultores!

Obrigada a todos por esta sessão!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sociedade e Indivíduo por PESSOA

"A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrência intermitente. Cada homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo distingue-e de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão-somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens.(...)"

Fernando Pessoa, in 'Os Preceitos Práticos em Geral e os de Henry Ford em Particular'

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ran Lahav - REFLECTIONS ON THE MEANING OF PHILOSOPHICAL PRACTICE

Reflection 14 - WE NEED A NEW LANGUAGE FOR PHILOSOPHICAL PRACTICE
(Read the full text HERE)
"It seems to me that for us, philosophical practitioners, this should be disconcerting. If we want philo-sophia to be a living practice and a way of life, then are we sure that the project of statement-making is relevant for us? Can we take it for granted that the search for wisdom has much in common with the search for true statements?"

"I realize that I am suggesting here a fundamental revolution in our conception of what philosophizing is. Traditional philosophy has been modeled around statement-making kinds of discourse, and has focused almost exclusively on one single kind of philosophical understanding: understanding through statements-about. In order to develop a different discourse, based on different forms of understanding, we need tremendous creativity, visionary powers, and courage. And yet, if we wish philosophical practice to be different from statement-making, theory-constructing academic philosophy, then I believe we must embark on this ambitious project."

FILOSOFAR COMO SÓCRATES

O mais recente livro de OSCAR BRENIFIER

Uma introdução ao mundo das práticas filosóficas.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

8ª CONVENÇÃO IHTP - I Have the Power

Intervenção Enteléquia - Filosofia Prática®

- DA FILOSOFIA NAS ORGANIZAÇÕES


HOTEL DOM PEDRO GOLF - VILAMOURA - ALGARVE
21 Outubro 2011
Todas as informações em:
http://www.ihavethepower.net/catalog

2011 SOPHIA NETWORK MEETING - ISTAMBUL


Enteléquia - Filosofia Prática® saúda e agradece a todos os participantes
e organizadores a inteira disponibilidade nestes dias de encontro e partilha de práticas filosóficas !!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O existencialismo: diálogo entre Eduardo Lourenço e Vergílio Ferreira

“Quem se olhou a fundo sabe que coisa alguma da sua vida, o pior e o melhor, dependem totalmente da sua vontade. Colaboramos, bem ou mal, mas fomos excedidos.” Eduardo Lourenço

Artigo de Celeste Natário, Universidade do Porto.              Leia aqui!

« A opacidade do mundo e a necessidade de sua compreensão como da existência dos homens, tendo como limite a impossibilidade da sua transparência, para a qual a razão humana não chega, colocam o pensamento de Eduardo Lourenço na clara atitude e situação de uma filosofia da existência. Concebendo a essência da filosofia “não como solução, mas como uma metafísica da interrogação, definida em função da ideia limite da expressão do incomunicável e inacabável sentimento que cada um adquire da existência como totalidade”, Eduardo Lourenço afirma que isso se deve ao “sentimento (que pode evidentemente ser expresso de uma forma mais ou menos adequada por umsistema de ideias) de que a existência não é problemática, mas metaproblemática, uma vez que o próprio questionante está perspectivamente envolvido na própria questão.” »

terça-feira, 30 de agosto de 2011

ENTELÉQUIA - FILOSOFIA PRÁTICA na TURQUIA

SOPHIA - European Foundation for the Advancement of Doing Philosophy with Children
Sophia Network Meeting 2011 em Istambul

CONSULTE O PROGRAMA DO ENCONTRO.

As nossas contribuições:

Laurinda Aguiar Silva: Music and Construction of Meaning;

Cecilia Reis Maia: Exploring causal relation with children of 5 to 7 years old;

Nuno Paulos Tavares: Depicting Concepts-Capting Human Reality.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aconselhamento Filosófico



A Filosofia, a Pessoa e os desafios de ser


CONSULTA FILOSÓFICA: 1ª sessão

"Se condicionar a minha acção pela avaliação do impacto da mesma nos outros, 
perco auto-determinação?"

Esta pergunta foi o resultado da primeira consulta, cujo objectivo é problematizar e conceptualizar a necessidade da mesma. A fuga à confusão deve começar pela depuração conceptual, objectivando os motivos promotores da dúvida, problema ou situação através da elaboração crítica da questão-motor do processo.

Interessado? Siga o LINK

As consultas são realizadas por um profissional certificado pela American Philosophical Practitioners Association (APPA), Institut de Pratiques Philosophiques e Associação Portuguesa de Aconselhamento Ético e Filosófico (APAEF).

segunda-feira, 25 de julho de 2011

The ESSAYS of Michel de MONTAIGNE (1533-1592)

Translated by Charles Cotton, Edited by William Carew Hazlitt; 107 essays organized in three books. Published in 1580, enlarged in 1588 and still not completed to his satisfaction at the time of his death.
READ IT HERE.

"Given the huge breadth of his readings, Montaigne could have been ranked among the most erudite humanists of the XVIth century. But in the Essays, his aim is above all to exercise his own judgment properly. Readers who might want to convict him of ignorance would find nothing to hold against him, he said, for he was exerting his natural capacities, not borrowed ones. He thought that too much knowledge could prove a burden, preferring to exert his ‘natural judgment’ to displaying his erudition."   Stanford Encyclopedia of Philosophy

"Everyone calls barbarity what he is not accustomed to."
"Life in itself is neither good nor evil, it is the place of good and evil, according to what you make it."
"The continuous work of our life is to build death."
"If you press me to say why I loved him, I can say no more than because it was he, because it was I."
"Kings and philosophers defecate, and so do ladies."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

FILOSOFIA NAS ORGANIZAÇÕES

A prática filosófica no contexto organizacional
  

Colaboração e intervenção em contextos organizacionais.

Descubra e construa o lugar da Filosofia na sua empresa ou associação.

 
 
 
Contacte-nos e pensemos como podemos colaborar! 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Homo sum, humani nihil a me alienum puto.

Sou Homem, nada do que é humano me é estranho. 1

A qualidade da nossa vida depende da qualidade dos nossos pensamentos. 
Marco Aurélio

entelequia.filosofiapratica@gmail.com

1- TERÊNCIO ( Publius Terentius Afer)(ca.195 A..C. - ca. 159 A. C.),  Heaautontimorumenos (O Punidor de Si Mesmo), v.77.